Greve de caminhões no Chile em 1972
Greve de caminhões no Chile em 1972
Maio de 2018: greve dos caminhoneiros faz o Brasil parar e compromete abastecimento de alimentos, combustíveis e indústrias, que ficam sem insumos e materiais para trabalhar.
Mas, por mais que pareça um cenário caótico, já existiram situações piores. No Chile, em 1972, também aconteceu uma greve de caminhoneiros, porém, foi bem maior: durou 26 dias e agravou fortemente a crise econômica pela qual o país já estava passando.
Essa greve colaborou para incendiar diversos outros movimentos grevistas e culminou em um golpe de Estado que tirou do poder o então presidente, Salvador Allende.
Essa foi uma greve muito marcante porque além de ter durado muito tempo, derrubou um governo! Mas esse tipo de greve também é notória em outros países, como na França, por exemplo, onde também aconteceu.
No Brasil a greve foi muito prejudicial porque quase 80% dos serviços de transporte de carga utilizados no país são rodoviários. Isso faz com que todos os setores sejam prejudicados, que foi o que realmente aconteceu.
Um pouco de história
Contando um pouquinho de história, em 1972 o caminhoneiros paralisaram o Chile pela primeira vez, como forma de protesto contra a criação de uma autoridade nacional de transporte. Isso colaborou para uma crise trabalhista no país.
Para acabar com a greve, Allende, então presidente de um governo esquerdista, conversou com os caminhoneiros. Mas já era tarde demais. Muita coisa já havia sido perdida na economia do país.
A instabilidade e a crise econômica que se instalou no Chile levaram Allende a ser deposto pelo exército e pela força nacional em 11 de setembro de 1973. Então, houve uma tomada de poder que incluiu o bombardeio do palácio presidencial de La Moneda e o suicídio do então presidente.

Salvador Allende, ex-presidente chileno
Nos momentos derradeiros do governo, em agosto de 1973, a greve dos caminhoneiros foi tão catastrófica qu o Ministério do Planejamento Nacional precisou emitir um comunicado. Neste, eram relatadas as consequências econômicas da paralisação. “A agricultura está seriamente ameaçada, a indústria desacelerou e o suprimento de commodities atingiu um ponto crítico”, dizia o relatório.
“Esta é uma greve política, com o objetivo de derrubar o governo com a ajuda do imperialismo”, afirmou Gonzalo Martner, que era o ministro da pasta. Assim se sucederam os fatos até a segunda paralisação.
Essa foi mais intensa, porque o Chile ainda não havia sequer se recuperado da greve que aconteceu um ano antes.